terça-feira, junho 05, 2012

de de Por:
. "Estamos numa época em que o que é humano e natural tem de ser justificado, arguido, fundamentado. Porque perdemos no caminho a nossa essência e o que é natural e humano passou a ser estranho, alternativo. Explico: vejo uma grande contradição em nossa cultura ocidental, nós colocamos limites precoces aos nossos bebês, como dormir em berços desde o nascimento, não pegar muito no colo, calar a boca com chupetas e encher o bucho com mamadeiras, exigir que durmam a noite toda e depor contra o apego inicial e necessário. Quando depois eles crescem, os xingamos de “mal-educados”, que só comem lixo, que são birrentos e desobedientes e não enxergamos que nossas crianças são na verdade fruto de nosso abandono físico e emocional. E mais: quando os filhos estão adultos, com uma atitude de adolescência tardia ou sem o menor vínculo com mãe e pai, tocando suas próprias vidas e família, ouvimos as reclamações maternas: faz uns meses que minha filha sequer dá-me um telefonema, anda muito ocupada; ele chega em casa e não fala comigo, tranca-se no quarto e passa a madrugada na internet, nem parece mais que mora nessa casa; aqui não sentam à mesa para comer conosco, sinto que não tenho mais filhos; não sabemos mais o que é passar o Natal com os filhos. Ora essa, querem o apego numa ordem invertida? Não ouviram seus corações, não desenvolveram apego na infância com seus filhos e filhas e desejam vínculo mais tarde?A independência, a autonomia, o respeito à diferença e a convivência saudável em sociedade só são possíveis quando, na mais tenra infância, as crianças podem ter a presença, o apego e acesso aos corpos da mamãe e do papai. Isso lhes dará segurança, confiança, apoio e liberdade para crescerem e suportarem as adversidades, os conflitos humanos, as dificuldades na vida em sociedade e mesmo a vinculação parental, a gratidão pela dedicação dos anos da infância de mãe e pai. Quem dera fosse apenas eu que afirmasse tudo isso, mas nas referências acima vocês poderão encontrar um vasto terreno teórico em psicanálise, na neurociência, e testemunhos de pessoas que defendem uma sociedade mais humana e mais justa em contraste com esta que temos.Pra você mulher, que no fundo de sua alma sente que é mamífera, sente seus hormônios pulsarem na relação com seu bebê, deixe esses comentários desumanos fora do seu coração, faça ouvidos moucos, abrace sua cria, cheire, lamba, durma com ela sem culpas, amamente em livre demanda e faça um desmame natural. Deixe que seu desenvolvimento flua naturalmente, respeitando cada etapa. Deixe seu bebê dar o tom da autonomia e respeite isso. Não force o seu desenvolvimento e seja feliz em sua maternagem." (texto extraído do blog mamíferas)
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