quinta-feira, março 06, 2014

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Como já disse no outro post, hoje começamos a série do mês das mulheres, e o primeiro tema a ser abordado é: Violência Obstétrica.

Violência Obstétrica é o termo dado as mulheres que, de alguma forma sofreram algum tipo de mau-trato antes, durante e depois do parto. Não somente agressão física, mas também agressão verbal, ou qualquer tipo de humilhação que a mulher passe durante o trabalho de parto.


É violência: a ofensa verbal, o descaso, o tratamento rude, as piadinhas, os gritos, a proibição da manifestação das emoções, as violências físicas de todos os tipos, a obrigatoriedade de uma determinada posição, os apelidinhos, a contenção dos movimentos - como divulgado com cada vez mais frequência entre as mulheres detentas, que precisam parir algemadas 
Trecho de um post do blog: Cientista que virou mãe

Ou seja, sabe aquele médico que fala: Na hora de fazer não gritou, né?
ou aquela enfermeira que não deixa vc ficar livre na sala, que amarra sua perna arreganhada na maca.

Isso também é violência obstétrica e, muitas mulheres acham isso normal, comum. Não pode ser, não podemos deixar que esse tipo de tratamento continue acontecendo.

Quando estava grávida do Pietro e me preparando para o parto normal (que não aconteceu) fui várias vezes alertada para não gritar na hora do parto, porque se gritar as enfermeiras judiam da gente, gritam com a gente, que tem que fazer força de forma silenciosa, sem gemer, sem chorar ... Oi???
É inacreditável isso. Pense, uma pessoa que está grávida de seu primeiro filho, se preparando para o parto, buscando informações de conhecidos, ouvindo experiências alheias para tomar coragem, ficar segura, de repente ouve esse tipo de coisa, estremeci na hora e pensei: Como conseguirei me controlar na hora da dor, que nem sei a intensidade, nem sei como será essa dor?
ISSO É VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA . E ninguém percebe, porque é normal!

Ex. de violência Obstétrica 
- Fazer uma mulher acreditar que precisa de uma cesariana quando ela não precisa, utilzando de riscos imaginários ou hipotéticos não comprovados (o bebê é grande, a bacia é pequena, o cordão está enrolado).

- Submeter uma mulher a uma cesariana desnecessária, sem a devida explicação dos riscos que ela e seu bebê estão correndo (complicações da cesárea, da gravidez subsequente, risco de prematuridade do bebê, complicações a médio e longo prazo para mãe e bebê).

- Dar bronca, ameaçar, chantagear ou cometer assédio moral contra qualquer mulher/casal por qualquer decisão que tenha(m) tomado, quando essa decisão for contra as crenças, a fé ou os valores morais de qualquer pessoa da equipe, por exemplo: não ter feito ou feito inadequadamente o pré-natal, ter muitos filhos, ser mãe jovem (ou o contrário), ter tido ou tentado um parto em casa, ter tido ou tentado um parto desassistido, ter tentado ou efetuado um aborto, ter atrasado a ida ao hospital, não ter informado qualquer dado, seja intencional, seja involuntariamente.
- Submeter bebês saudáveis a aspiração de rotina, injeções e procedimentos na primeira hora de vida, antes que tenham sido colocados em contato pele a pele e de terem tido a chance de mamar.

- Separar bebês saudáveis de suas mães sem necessidade clínica.

Para denunciar:
1) Exija seu prontuário no hospital (ele é um documento seu, que fica depositado no hospital, mas as cópias devem ser entregues sem questionamento e custos).

2) Escreva uma carta contando em detalhes que tipo de violência você sofreu e como se sentiu.

---> Se o seu parto foi no SUS, envie a carta para a Ouvidoria do Hospital com cópia para a Diretoria Clínica, para a Secretaria Municipal de Saúde e para a Secretaria Estadual de Saúde.

---> Se o seu parto foi em hospital da rede privada, envie sua carta para a Diretoria Clínica do Hospital, com cópia para a Diretoria do seu Plano de Saúde, para a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) e para as Secretarias Municipal e Estadual de Saúde. Existem outras instâncias de denúncia, dependendo da gravidade da violência recebida, mas um advogado deveria ser consultado.

E para finalizar, quero deixar um vídeo bem informativo (e triste) sobre o assunto.
Ele foi lançado no final de 2012, tem 50min mas vale muito a pena assistir.



Denunciem, não se calem.

Esse é mais um passo para nos tornarmos mulheres livres, temos que ser respeitadas.

FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER!
Comentários
2 Comentários

2 comentários:

  1. Parabéns pelo excelente texto e tão esclarecedor! Adorei a iniciativa!

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    1. Obrigada Gabi, que bom que gostou!
      É sempre importante alertar a mulherada né² ! rs

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